A VOZ IDEAL PARA UM JORNALISTA

A VOZ IDEAL PARA UM JORNALISTA

A questão da voz no mundo do jornalismo tem causado grandes controvérsias até nos dias actuais. Como qualquer profissional, o jornalista também tem a sua ferramenta principal para desenvolver as suas actividades, a "voz".

A voz é conhecida como um instrumento indispensável para o ser humano, mas de forma bem particular para o jornalista. O que muitas pessoas esquecem de considerar é que na condição de seres humanos, ao nascermos não temos a opção de escolha, ou seja, não temos a possibilidade de decidirmos o tipo ou tom de voz que desejamos ter. Porque na maior parte das vezes, trata-se de algo que diz respeito à genética. Por outro lado, a voz é referida por muitos como um elemento de identificação social, pois, os seus atributos como: o timbre, o tom, a intensidade e a duração são um produto resultante das relações sociais e pessoais dos indivíduos. Por isso, quando ouvimos uma voz qualquer, na maior parte das vezes percebemos imediatamente se é de homem ou mulher.

É importante realçar que uma voz feminina normalmente tem um tom mais agudo, enquanto que uma voz masculina se insere num tom mais grave.

Mas nos dias de hoje, constatamos com muita frequência, jovens amantes e aspirantes de jornalismo e até mesmo profissionais já conceituados, a serem menosprezados por causa da sua voz. Alguns pelo facto de terem uma voz grave e outros por possuírem um tom de voz mais agudo.

Agora surge algumas questões pertinentes:

1-Será que realmente existe uma voz ideal para jornalista?

2-O que você pensa sobre é a voz ideal para jornalista?

3-Vamos supor que você acredita que realmente exista uma voz ideal para alguém que deseja ser jornalista. Qual seria esta voz, GRAVE OU AGUDA?

Algumas pessoas defendem que o jornalista deve possuir uma voz grave, e por muito tempo fomos ensinados desta maneira, ao passo que por outro lado, algumas pessoas defendem que o jornalista deve ter uma voz aguda. Desta forma, causando divisão entre os profissionais da Comunicação Social (Jornalistas).

Mas também devemos referir que se anteriormente pensávamos da forma não muito recomendada, hoje, certamente pensamos diferente. Porque ter uma voz grave ou aguda não significa que a pessoa está qualificada para ser jornalista. Porque ser jornalista é muito mais do que ter uma voz grossa ou fina.

Diante de tudo isso, é necessário saber que, o que realmente importa mesmo é falar e ser devidamente ouvido e entendido sem nenhuma dificuldade. Desta feita, permita-me dizer que; tanto a voz grave ou aguda, servem para o jornalismo, porque a voz por si só, não é um factor determinante para que alguém possa ou não ser jornalista.

Mas é verdade, que apesar da voz não ser um elemento determinante para que se exerça a profissão, existem algumas características que todo jornalista ou aspirante deve apreciar de forma minuciosa e rigorosa. Tais como:

Clareza: A voz do jornalista deve ser clara e fácil de entender, sem hesitação ou sons excessivos;

Dicção e articulação: a dicção deve ser precisa, pronunciando cada palavra de forma correcta e devidamente articulada;

Modulação: O jornalista deve ter boa modulação vocal, variando o tom, o ritmo e a intensidade da voz para transmitir diferentes emoções e ideias. Uma voz monótona pode soar entediante e desinteressante para o público;

Timbre: O timbre da voz é a característica que dá a cada pessoa uma voz única. Um timbre agradável e cativante pode ajudar a prender a atenção do público;

Pausas e ênfases: O uso de pausas e ênfases estratégicas pode ajudar a estruturar o texto do jornalista e destacar os pontos mais importantes da matéria.

Emoção: A voz do jornalista deve transmitir emoção, mas de forma controlada e apropriada à cada situação.

Originalidade: É fundamentalmente importante sermos a nossa melhor versão o tempo todo, porque é complemente desprazeroso ouvir alguém que copia, imita ou força a voz. Por isso, o jornalista não precisa ser cópia de ninguém.

Certo dia um jovem recém-formado em jornalismo, vagueava em algures da cidade de Luanda na esperança de alguma porta se abrir para ele, ao decorrer das suas andanças encontra um grupo de jovens, chega até eles, saúda e imediatamente procura saber se podiam lhe indicar um órgão de comunicação social, especificamente rádio ou televisão naquelas imediações, no mesmo instante houve um silêncio por alguns segundos, depois colocaram-se em risos e questionaram ao recém-formado:

– Conhecemos alguns, mas por qual razão devemos lhe mostrar?

– O jovem respirou fundo! E respondeu, sou formado na área e busco por uma oportunidade de emprego.

– Há há! Quer ser jornalista, você nem tem voz para ser jornalista, como assim, queres ser jornalista?! kkkk há há, começaram a zombar dele.

Naquele momento o jovem ausentou-se do lugar, mas todo triste e envolvido de incertezas sobre as suas intenções.

Foi quando se depara com um senhor, e por sinal, jornalista e chefe de redação de um órgão de comunicaçõe social tão conhecido, e lhe pergunta, óh! Meu caro jovem o que te inquieta? Vejo-te cabisbaixo e me pareces muito triste, o que se passa?

Ele respondeu:

– Eu tenho um sonho, mas as pessoas dizem que não posso realizá-lo por causa da minha voz.

– Meu caro jovem, não desanime, pois, lembra-te! Se para a realização dos nossos sonhos não fossem necessários muitos esforços, hoje, certamente todo mudo viveria o que sempre sonhou. Já agora qual é o teu sonho?

– Quero ser jornalista, mas não posso por causa da minha voz! Disse o jovem.

– Sorrindo, o senhor questionou, você já entendeu qual é a verdadeira essência de um jornalista ou do jornalismo em si? Se já, obviamente sabe que a questão da voz não é um factor determinante para ser ou não jornalista. Falo isso consigo de forma aberta e clara porque eu sou jornalista e com longos anos de carreira profissional, quero ajudar-te. Por isso, preste muita atenção no que vou dizer: "NÃO EXISTE A VOZ IDEAL PARA SER UM JORNALISTA". percebeu? Espero bem que sim, por isso, ergue a sua cabeça e siga firme e forte para a realização do seu sonho e faça a sua voz ser ouvida.

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About Author

Valeriano da Fonseca – Jornalista, Formador de Jornalismo, Autor, CEO da Rádio Valerfm, estudante do curso de Comunicação Social pela Universidade Agostinho Neto e Técnico da Direcção de Tecnologias de Informação e Comunicação da Universidade de Belas – UNIBELAS.